Categoria: Opinião

  • A pressa de concluir e o medo de pensar

    Há uma pressa estranha em concluir. Antes de ouvir, antes de ler, antes de compreender. Concluir rápido tornou-se virtude; hesitar passou a ser fraqueza. Pensar, então, parece quase suspeito.

    Vivemos rodeados de certezas instantâneas. Cada acontecimento exige uma posição imediata, de preferência definitiva. Não importa se os dados são incompletos ou contraditórios — a opinião tem de sair pronta, embrulhada e partilhável.

    O problema não é discordar. O problema é dispensar o processo. Pensar dá trabalho, obriga a admitir limites e a aceitar que algumas respostas não cabem num título nem num comentário apressado. Talvez seja por isso que tanta gente prefira atalhos.

    A dúvida não é sinal de indecisão moral; é sinal de seriedade intelectual. Quem pensa muda de ideia quando os factos mudam — e isso não é fraqueza, é honestidade.

    Num tempo em que todos parecem ter respostas para tudo, talvez o verdadeiro ato de coragem seja simples: parar, ler e pensar antes de falar.